terça-feira, 2 de novembro de 2010

No Pantanal, nos campos e no litoral...

Chamado de Paraíso das Águas, o Pantanal matogrossense conforma a maior planície de inundação contínua do mundo, numa área de transição entre a floresta amazônica, o Planalto Central brasileiro e o Chaco boliviano. Com diversos ecossistemas aquáticos, semi-aquáticos e terrestres e vegetação predominantemente aberta, o que mais chama a atenção na região é seu regime de cheias, de novembro a fevereiro, em que as águas de mais de 4 mil km de rios da região transbordam e alagam a planície. No período da estiagem, com menos água, que chega de bacias adjacentes lentamente, os rios retornam ao seu leito, formando-se milhares de lagoas (chamadas de "baías”) nas margens.

Ali, a vida fervilha com o intenso movimento de pássaros, peixes, répteis e mamíferos. O Pantanal é também o paraíso das aves, com cerca de 650 espécies diferentes. Aves aquáticas e espécies migratórias pousam na região em busca de abrigo, alimentação e locais para a sua reprodução. Ipês de cores variadas, buritis, onças, capivaras, cobras e jacarés e o desengonçado tuiuiú compõem as paisagens. A região é um pólo de pecuária, pesca e turismo, com o gradativo avanço da agricultura moderna. Ameaçam este ecossistema o uso de biocidas agrícolas, a substituição de pastagens originais por espécies exóticas e a retirada de matas ciliares. A criação de animais ao natural, de forma controlada, seria uma alternativa mais sustentável, assim como o ecoturismo controlado.

As Matas de Araucárias são um tipo de floresta ombrófila (em que não falta umidade) mista sobre planaltos e serras do Sul e Sudeste, atingindo, em sua origem, o nordeste da Argentina. Apesar de pouco afetada pela tropicalidade, ocorre em áreas de pluviosidade em torno de 1000 mm. As temperaturas são de moderadas a baixas no inverno. De acordo com dados recolhidos para o Almanaque Brasil Socioambiental, a situação ali é crítica: restam apenas 5% da cobertura original e, desses remanescentes, apenas 0,7% são de áreas primitivas. A intensa exploração madeireira nos últimos 150 anos está entre as responsáveis pela devastação das paisagens recobertas pelo pinheiro-do-paraná, a Araucária angustifólia, espécie arbórea de grande porte e folhas pontiagudas.

Os Pampas ou Campos sulinos são conjuntos naturais formados por extensas planícies e colinas suaves recobertas por gramíneas, varridas pelos ventos do sul e associadas aos banhados e lagunas próximas à faixa costeira ou pontuadas por araucárias e matas subtropicais nos interiores. Dada a sua configuração, constituem excepcionais pastagens naturais, mas o desaparecimento das coberturas e a exploração nas áreas de arenitos têm feito avançar os campos de dunas e areais, em especial no sudoeste gaúcho.

Os ecossistemas costeiros são compostos, no território nacional, por áreas estuarino-lagunares, formadas por corpos d´água semiabertos que deságuam no oceano. Há, também, manguezais, com vegetação adaptada ao clima tropical e aos extremos de maré diários. Essas áreas são caracterizadas por solos lodosos e constantemente alagados, que servem de base a cadeias alimentares costeiras, sendo utilizados por inúmeras espécies como área de alimentação e procriação. Os ecossistemas costeiros contam, ainda, com praias, dunas, restingas e costões rochosos.

Dada a expansão de indústrias, cidades, concentração populacional, portos, estradas e do turismo sobre essas áreas, a sua gestão torna-se uma operação complexa e conflituosa. Elas são particularmente afetas pela expansão de empreendimentos imobiliários, já que as zonas costeiras estão entre as mais habitadas do planeta.

(Para saber mais, acesse as reportagens “Pantanal no ar”, “Litoral em perigo” e “Destruição de manguezais”, disponíveis no site do Planeta Sustentável ).

Mapa – Brasil – coberturas vegetais originais
Fonte: THÉRY, H.; MELLO, N. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005, p. 61.
Fonte: THÉRY, H.; MELLO, N. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005, p. 61.
Em seguida, proponha que os estudantes se dividam em quatro grupos e escolham um dos biomas e ecossistemas abaixo para fazer uma pesquisa:

-  Pantanal, que recobre 150 mil km2 do território nacional, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de frações do Paraguai e Argentina;
Pampas, pampas gaúchos ou campos sulinos, com 176 mil km2 no Brasil, no estado do Rio Grande do Sul e faixas em territórios vizinhos (em especial Uruguai e Argentina), sob forte ameaça dos areais;
- Matas de Araucárias, que na origem se distribuía por 185 mil km2 em planaltos e serras do Sul e Sudeste do país, dos quais restaram apenas 5%.
Ecossistemas costeiros, complexo mosaico de ambientes como estuários, manguezais, praias, dunas, restingas e costões rochosos. Distribuídos ao longo do extenso litoral (cerca de 8 mil km), sua vulnerabilidade chama especial atenção porque é na faixa costeira do país que estão as maiores densidades demográficas e de urbanização e a maior concentração de atividades econômicas e das redes viárias do país.

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